Boa noite, querido diário.
Eu espero que você esteja indo bem, porque eu estou uma merda. Foi por isso que eu te criei. Porque minha terapeuta acredita que isso pode me ajudar. Escrever sobre o que eu sinto e tals. Então me desculpe, querido diário. Mas você vai ter que aguentar muita merda da minha vida.
Vamos começar do começo. Por volta de Janeiro eu conheci uma garota. Ela parecia diferente de outras garotas. Madura. Meio rebelde. Fora dos padrões. E aí aconteceu a maior merda que podia acontecer: Eu me apaixonei. Me apaixonei perdidamente por essa mulher.
Mas quando me dei conta disso, começou a quarentena e nos distanciamos. Até tentei investir nisso por mensagens. Mas estávamos respeitando a quarentena. Ao menos ela respeitava a quarentena comigo, pq aparentemente com outro cara ela furava...
É isso aí, querido diário. Ela se envolveu com outro. Eu até me declarei, mas... Ela fez a escolha dela.
E agora eu to aqui fazendo terapia pra suportar isso.
Sabe o que é mais estranho? Quando eu conheci essa garota ela falou de mim para o terapeuta dela. Disse que conheceu um rapaz que estava fazendo bem pra ela. E agora, meses depois, eu estou falando exatamente o oposto sobre ela para minha terapeuta.
Eu fiz bem para essa garota. Eu GOSTAVA de fazer o bem pra ela. E agora eu não paro de pensar nela e isso tem feito mal pra mim em tantos níveis...
Por causa disso tudo eu tenho sofrido um terrível bloqueio criativo, querido diário. Minha terapeuta me recomendou escrever para tirar tudo isso de dentro de mim. Talvez com isso o bloqueio saia.
E agora eu to aqui... Com máscara de argila na cara (hoje é quinte então é dia de limpeza de pele), e escrevendo aqui.
É assim que vai funcionar. eu escrevo todos os dias. Algumas vezes para você, querido diário. Outras vezes para ela, fingindo que você é ela, entende? Como se eu estivesse escrevendo para ela. Você sabe, querido diário... desabafando.
Aliás, por isso que eu estou te chamando de "querido" diário. Porque eu gostava de chamá-la de "querida".
Por Deus, eu realmente gosto dessa garota. E ela parece realmente gostar desse outro garoto. Ainda falaremos sobre ele. Mas ja vou adiantando: Ele é um moleque padrãozinho...
O que me deixa desapontado, porque minha querida parecia fora desses padrões. Na verdade ela sempre dizia fora desses padrões. Dizia que queria ser como uma Mortícia Adams. E francamente. Aquele moleque me parece longe de ser um Gomes Adams.
Bem... Eu to tentando seguir os conselhos da minha terapeuta. Desculpe-me, querido diário, por ter feito um texto todo atropelado (realmente não condiz com minhas habilidades de escritor), mas eu precisava começar, não é?
Querido Diário, obrigado por me ouvir.
Sinceramente:
M.B.


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